
Em princípio eu tinha uma folha em branco e aos poucos, pontos, linhas, retas, traços e formas deram vida a este vazio. Tudo parecia tão lindo, e como tudo que é bom, inesquecível. Até que gotas como em chuva, começaram a borrar a tal obra de arte feita. Tudo começava a ser inexplicável, sem sentido, com ausência de brilho. Não era uma vida que se acabava, mas sim, uma obra viva que se manchava aos poucos ao perceber a tamanha crueldade dos seres. Aqueles borrões fizeram perder a graça, mas por quê? Como permitir o ocorrido? Não havia uma explicação, simplesmente aconteceu, a culpa foi minha, foi nossa, por ser enganada, por ser fitada, por ser exato, por achar que a durabilidade das coisas são infinitas, por colocar a mim mesmo em ocasiões após. Mas se antes eu descobrisse que toda aquela obra podia ser salva pra sempre, eu daria todas as minhas tintas, telas e pincéis. Não me arrependeria, porque tudo foi único, porque gostaria de adaptar minha visão com a repetição desta vida. São os corações que despedaçam, esperando uma reconstrução que nunca serão as mesmas. Aquela obra manchada nunca seja restaurada. Ela derrama sobre mim gotas coloridas de dor. Meu sentido explica que tudo é resultado de uma decepção. A razão explica que mais tarde inovadas obras ocuparam os lugares vazios. Porém o que sai de dentro de mim explica que tudo que aconteceu foram fases dolorosas, e que as manchas talvez nunca saíram. Se eu te pedir pra sair não vá, mas se você me convidar pra construir destinos novos, eu irei.
