Talvez eu me esqueci de deixar minhas emoções transpirarem. Volta e meia retorno a uma tábula rasa, mas dessa vez uma tábula rasa complexa. Um desenho, uma pintura, uma escrita única e tão verdadeira ainda que seja inventada. Tudo isso está dormindo em um sono profundo. Não sei se guardei na gaveta, como alguns sentimentos que deixei para trás. Na gaveta e na estante me parece que há negócios e especulações.
A única coisa que sei é que talvez eu esteja perdendo a beleza das flores, a beleza dos abraços do vento. Por uma viagem querida, um sonho esquecido, liberdade estabilizada. Tudo isso é limitado. Cada um tem um pensamento, uma modalidade.
Tarde de domingo, bebidas, mar e violão... Não, eu não estou querendo ser boêmia, talvez seja um novo encontro ou conhecimento. Qualquer coisa é forte. Um detalhe perdido, adormecido, umas lembranças poucas como um brinquedo doado para ser o alimento de um boi. O sentimento das coisas materiais, a tentativa de uma boa fotografia, sonhos dissolvidos por imagens e ruídos agudos presentes por conta de resquícios passados. A perda e a presença. Os novos horizontes avisam que tempos mudam. Talvez eu saiba que o caminho está certo, mas prefiro continuar procurando, descobrindo, reinventando. Sei também de outra coisa, não gosto de controle, de monitoria, da ausência de diálogos saudáveis e recíprocos. Gosto muito da palavra "coisa" serve para mencionar qualquer coisa que talvez não tenha explicação, mas que no fundo cada um sabe o que significa. Há coisas que achamos que são promocionais, no entanto, são apenas registros pessoais. São tantas coisas que talvez eu me esqueci de pedi permissão ao horizonte para contar.